Antologio

Minimalismo: Desejar ≠ Necessitar

Larissa Veloso. Revista Planeta nº 490, de agosto de 2013. Artigo Viver com Menos: alguns nadam conta a corrente do consumismo e pregam que a vida com poucos bens materiais é bem mais satisfatória.

De quantos objetos você precisa para ter uma vida tranquila?

[...] Não é preciso ir muito longe para perceber que vivemos cercados por uma enorme quantidade de objetos e acabamos gastando boa parte do tempo cuidando de sua manutenção: um carro que quebra, o smartphone sem sinal, a tevê que ficou muda e – graças a Deus – ainda não saiu da garantia. E lá vamos atrás da assistência técnica ou de uma loja. O objetivo pode ser tornar a vida mais fácil e confortável, mas muitas vezes acabamos reféns de nossos próprios objetos de desejo.

[...] Mas de quantas dessas coisas de fato precisamos e quantas não são apenas desperdícios de espaço, de dinheiro e de tempo? Algumas pessoas levaram esse questionamento a sério e decididam repensar seus hábitos de consumo. Elas apostam numa teoria simples: quanto menos coisas possuímos, mais descomplicada e feliz será a vida.

O americano Dave Bruno, professor de história na Universidade Nazarena de Point Loma, em San Diego (Califórnia) [...] decidiu assumir o desafio de viver um ano com apenas 100 itens, incluindo roupas, livros, aparelhos eletrônicos, lembranças de família e objetos pessoais. Bruno abriu exceções para os bens que também eram usados pela mulher e os filhos, como móveis e eletrodomésticos, mas ainda assim o esforço foi enorme. Apesar de sua atitude ter sido considerada radical por muitos, ele acabou conquistando seguidores ao redor do mundo, ganhou a atenção da mídia e publicou o livro The 100 things challenge (O Desafio das 100 Coisas, em tradução livre).

Outros procuram ir ainda mais fundo, vivendo sem casa e com apenas 50 itens. Há quem pregue o desafio de ficar um ano sem comprar nada, [como a psicóloga Marina Paula, de 28 anos, moradora de Curitiba], vivendo na base de trocas e doações. Mas também há quem pergunte se a obsessão pelo consumo deve ser substituída pela obsessão do não consumo. Alguns alertam que o minimalismo não trata apenas da quantidade ou do valor dos itens que se encontram em nossas casas. “Minimalismo é viver com o essencial, e cada pessoa decide o que é essencial para si. Então, por definição, o minimalismo sempre será algo subjetivo e individual”, diz o escritor carioca Alex Castro.

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